quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Subtle coma



Willing to anticipate the daily suicide – consider anti-anxiety pills; natural – natural, I could not keep from taking them – consider anti-anxiety pills taken; normal. Medicated, in my full joyful youth, with the orange flask upon the fingers, I could not evade diagnosing that my anal fire had not ceased after the water diluting my anti-anxiety pills – consider them taken; habitual – flooded – not entirely (it was little water); wet – my used stomach; regular: still thirsty. From my actions there was not much left – consider the water drank; weighed – unless to lean my back on my wood bed – back on the white wall, legs on the mattress; usual – to not delay myself on sleeping; ordinary. I could not help noticing our Savior – garnish, symbol; commonplace – celestially nailed at the white wall – nailed (hands and feet); vulgar – within its crossed Lady King vial (with a silly face). Why should something be nailed like that? I could not help comparing it with my own image: me, abed with the vial, drooling all over the nightstand which looked like clamoring – in a mantra: jump, Master. And I, with a silly face, slept like a child in a induced coma; felonious.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Safari de domingo

       Ao passar pela alameda com o grupo de turistas – alguns estrangeiros, outros nem tanto, recém acordada, em jejum por falta de tempo, absorta na manhã introspectiva, ponderava – à meia voz – Guia: “Que cheiro forte de chuva. Será que consigo comer antes de me molhar?”. Em sua Mochiladoguia de alça diagonal, dispostas nas partições nominadas “Acenar”, “Erguer” e “Agitar”, estavam, respectivamente, as bandeirolas azul, amarela e vermelha. A primeira deveria apontar o lugar sobre qual Guia estivesse falando; ao sinal da segunda, o grupo deveria parar ou para esperar os carros atravessarem ou não atrapalhar as senhoras em cooper matinal, enquanto a terceira e última bandeirola era destinada a dois momentos; um sendo a sinalização do fim da expedição e o outro para faciliatar pessoas perdidas a avistarem o grupo, caso ficassem para trás ou perdidas; aparentemente a única diferença entre uma bandeirada vermelha e a outra bandeirada vermelha eram os gestos faciais do guia; caso indicasse o término da visita, sua feição era de alívio e compensação, como aquela do banho após exercício físico; caso fosse o de chamar atenção de turistas não aparelhados ao passo uno do grupo, ou então a esperança de ser visto por algum extraviado – estrangeiros ou nem tanto, sua feição alcançava notas e tons de reprovação, como a de um pai careca apontando o dedo em sua cara, cuja intenção é fazer com que o transgressor – turista ou filho – se sinta culpado. Além dos estandartes coloridos, carregava-se no bolso esquerdo da camisa um apito branco destinado às emergências, isto é, caso alguém do grupo torcesse o tornozelo ou entrasse algum inseto urbano em seu globo ocular, impossibilitando a apreciação da vista. Também era usado em casos mais graves, como em casos mais graves, mas com esse fim poucas vezes na história da Turismos S/A havia sido acionado, o que de certa forma contribuía para a presença de fantasmagorias e esgueiramentos de alguns mitos, responsáveis por assombrar vez ou outra guias e guias.
       Eu, Secretáriogeraldarelaçãoempresa/guias e antigoguia, posso dizer que a reputação de Guia não é das mais firmes. É conhecida pela hipocondria severa, herdada pelo avô materno, segundo ela, além de suas psicossomáticas alergias que enrubesciam seu nariz obtuso ao ponto de transformar qualquer gostodecigarrogostoso em cheiro de diarreinicial. Algo desastroso potencialmente: pestilente motor e algoz de passeios. Tomou a bandeirola azul, reuniu forças, ergueu-a e apontou-a à esquerda dizendo: “olhem e percebam, esta é uma casa, o cheiro de café é não só revigorante como também apetitoso. Talvez a dona de casa bondosa ou a diarista benevolente o sirva para o rapaz de cinza que arrumará a TV a cabo; façam isso para para aproveitarem o passeio”. Do mesmo modo, ao fim da observação, tomou a bandeirola em sua mão esquerda e apontou para a casa à direita dizendo: “esta é outra casa, casa da nova e eterna manutenção dos costumes, alinhada ao bel prazer e interesses da família. Provavelmente o Pai já está de saída ou madrugou no trabalho”. O cheiro de classe média embrulhava o estômago de Guia, pequeno comparado ao tamanho do pacote a ser digerido. Os turistas observavam e murmuravam asneiras enquanto Guia imaginava que desmaiaria pela décima segunda vez na manhã. Desesperada para ir embora, seu nariz enrubescia como que pedindo pela cor da bandeirola ser a mesma que a sua, finalizando mais um dia de paranoias gastrointestinais e otorrinolaringologistas. Só o fato de o nariz conseguir identificar os surtos cutâneos e internos como paranoias reais, advinda de conexões nervosas virtuais, já demonstra que, na verdade, possuía mais autocontrole e autoconhecimento sobre o sistema de Guia do que Guia.
       “Agora observamos uma senhora em roupas de ginástica atravessando este cruzamento vazio e sem trânsito frequente. Às vezes temos a oportunidade de encontrarmos duas senhoras, ou algum adolescente obeso; ou ainda guias de cão e não cães guia” e riu audivelmente com a bandeirola amarela apontada aos céus, como trocando de feição para um sorriso ensaiado de sua piada, com o qual a sensação de qualquer um que houvesse feito o passeio mais de uma vez seria a de um mergulho num vórtex de deja vù. Seguindo, continuou: “enfim, vez ou outra vemos duas pessoas se cruzando e falando 'bom dia' entre uma respiração e outra. Vocês precisam ver. Espero que tenhamos essa sorte hoje, certo?”, disse Guia. O grupo de turistas respondeu-a mudamente num sorriso sincero e ela, indiferente, seguiu caminho. Deparando-se com uma oficina de garagem repetiu o ritual da bandeira azul. “Ali um aposentado ensinando Neto a ter novas skills de como otimizar o tempo na amarração dos tênis; cansado e desajustado pretende passar ao neto maneiras de não desperdiçar tempo entre uma troca de roupa e outra. O workshop com o aposentado é realizado nas segundas e quartas das 7:30 às 9.”
       No decorrer da excursão as observações foram-se acumulando, bem como a rinite de Guia. “Um aceno de cabeça entre vizinhos”, “um pé de amoreira privado e privativo”, “carro do ano pertencente ao síndico do condomínio três quadras além de nossa expedição”. Finalmente, com a bandeira vermelha na mão direita, disse, “obrigado a todos pela maravilhosa manhã e companhia. A Turismo S/A agradece a preferência; saiam, por favor, todos com calma pela direita”. Todos saíram em meio aos burburinhos e sorrisos. Logo, Guia pôde se recostar no poste do fim da rua e acender um cigarro de filtro vermelho, como a bandeira dependurada ainda em sua Mochiladoguia; de crachá vestido tragou e puxou ar pela boca duas vezes demasiadamente rápidas; aquele mesmo ar com cheiro de café, classe média, chuva e doença psicossomática. Foi correndo ao banheiro desmaiar seu intestino.